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Foi só pena que voou

Calma!… Muita calma nesta hora!… Não se trata de briga! Eu vou contar tudo direitinho para ser bem compreendida.

Como já adiantei, felizmente, não é um caso de briga. Ao contrário: é um caso de amor e de separação. Sei que, no mês do carnaval, surgem muitas plumas, paetês e vários tipos de pena, bem como vários casos de amor e, ao final da temporada, algumas separações. Entretanto, o que vou contar não tem nada a ver com o carnaval. Risos!

A pena da qual vou falar é aquela que acabou de se apartar de algum tipo de ave. Normalmente, as galinhas e os pombos são as aves que mais frequentemente perdem suas penas no espaço urbano. Como muitos sabem, moro em uma casa velha que tem algumas árvores frutíferas e que, embora esteja no espaço urbano, periodicamente tem muito verde e variedade de frutas, principalmente maduras. Com isso, vários tipos de aves são atraídas para a minha residência e, devido à presença delas, muitas penas acabam voando pelo meu quintal.

O fato é que penas no quintal ou mesmo nas ruas quando vou à padaria, por exemplo, é extremamente natural. Apesar da naturalidade dessa frequência, basta eu ver uma para me lembrar do Guizim, um “frajolinha” que partiu um dia depois do Natal, faz mais de ano. Lembro-me de ter contado a história dele por aqui também.

Guizim era um gatinho que adorava trazer penas para com elas brincar na varanda da frente da casa, espaço que era meio que “habitado” por ele. Brincava por muito tempo com as penas que trazia e, quando eu o via assim entretido, ficava feliz, pois ele me parecia feliz também. Depois que ele se foi, basta eu ver uma pena, seja de que ave for, para imediatamente associar à presença dele em minha vida, como expressei anteriormente.

As penas têm uma alta mobilidade, pois o vento pode transportá-las facilmente. Talvez por essa facilidade, elas surgem nos lugares menos prováveis, como aconteceu aqui em casa, comigo, certa feita.

Em um dos quartos, que não tem ninguém usando, o qual fica sempre fechado para evitar que a gata de dentro de casa venha a usar as camas como propriedade dela, certa feita, eu me deparei com uma pena relativamente grande, escura, logo após a única porta de entrada no quarto.

Até aí, nenhum problema. Entretanto, o que me encasquetou foi que o quarto havia sido faxinado naquele dia, a janela dele tem uma lona do lado de fora por causa de água que transborda do telhado da casa vizinha, que é de um lote mais alto que o meu. Não bastassem essas particularidades, eu nunca havia visto daquele tipo de pena, encontrado por mim naquele dia e naquele ponto, em nenhum outro lugar da casa ou adjacências.

O que mais me espantou foi o fato de tudo estar extremamente limpo, polido, organizado e o quarto fechado; portanto, sem a possibilidade de a gata que fica do lado de dentro ter pego pela janela de outro cômodo e levado até esse quarto em especial, brincando, como Guizim o fazia antigamente.

Em face do inexplicável, é comum que busquemos algum tipo de explicação plausível. Foi o que eu fiz: a faxineira deixou cair a pena da mochila dela; tinha trazido por algum motivo e se esqueceu de me falar a respeito naquele dia. Foi a melhor justificativa que encontrei de imediato. Mas não se sustentou quando a faxineira retornou e eu perguntei a ela sobre a pena escura, da qual ela não sabia nadica de nada.

Igualmente interessante e que pode parecer sobrenatural, mas não creio que seja, veio na sequência. Depois que encontrei essa pena grande e escura no quarto fechado (e pouco usado), passei a encontrar mais penas de tipos variados em diversas partes da casa, inclusive, no meu próprio quarto. Mas parei de estranhar. Passei a dizer sempre para mim mesma e em voz alta: “Foi só pena que voou! Mais uma para você brincar com ela, Guizim!”.

Moba Nepe Zinid – 23 jun. 2026.