Blog

Flag

Sim! É uma palavra em inglês. Significa “bandeira”. É o nome de um gatinho todo preto, de olhos amarelos bem vivos e muito esperto. E não! Ele não é meu. Está apenas hospedado comigo. Na verdade, ele tem um tutor da mesma nacionalidade do meu atual hóspede. Aliás, o tutor de Flag é ex-aluno meu e, também, é o responsável pela presença do meu atual hóspede, que veio de um país da África Ocidental, há 8 meses, que estão se completando exatamente nesta data: 15/10.

Voltando aqui ao gato que também é meu hóspede. Ele foi encontrado no estacionamento de um supermercado próximo à escola onde esse meu ex-aluno estuda e, mais precisamente, no estabelecimento onde ele trabalhava à época. Pelas palavras desse meu ex-aluno, ao encontrar o gatinho abandonado no estacionamento do supermercado, como ele estava no final do seu horário de trabalho, resolveu levar o bichinho para casa, para não seguir se sentindo tão sozinho: ambos!

O único problema desse meu ex-aluno foi que ele se esqueceu de consultar o proprietário do quarto onde ele residia à época. Foi tiro e queda! Tão logo o senhorio se deu conta da presença do gatinho, imediatamente, disse a esse jovem africano – meu ex-aluno – que ou se desfazia do gato e podia continuar residindo ali, naquele quarto, ou se mudava com gato e tudo.

Diante do dilema, esse jovem estudante contatou – à época – comigo e, embora eu tenha um número razoável de felinos em minha residência, consegui dar um jeitinho. Estava sem hóspede na ocasião e disse que ambos: gato e ex-aluno poderiam permanecer em minha residência até que fosse conseguida uma boa solução.

Como eu iria buscá-los em casa para virem se hospedar temporariamente em minha residência, decidi perguntar se o tutor do gatinho tinha um transportador. Assim que recebi a resposta afirmativa, fiquei despreocupada e, como era sexta-feira à noite, ficou acordado entre nós que os buscaria na manhã de sábado para virem ambos residir em meu espaço para hóspede.

No sábado, tão logo cheguei à antiga residência desse tutor, toco a campainha e eis que surgem os dois: o gato era um pequenino e delicadinho filhote e estava sendo carregado em uma das mãos do meu ex-aluno. Imediatamente eu perguntei sobre a caixa transportadora. Foi apontada para mim

uma vasilha com areia (já usada) sobre o piso. Percebi que tinha havido algum tipo de ruído em nossa comunicação. Solicitei então que guardasse todos os itens no porta-malas do veículo e deixasse a “carga viva” para o final e que o escondesse sob o moletom, evitando-se a fuga devido ao barulho do veículo durante o deslocamento. Assim solicitei, assim foi feito.

Chegar em casa com o filhotinho foi um reaprendizado para mim, pois tive que providenciar às pressas uma telinha (daquelas para galinheiro com pintinho!) para recobrir a grade do portão e da lateral da escada que vai para o espaço autônomo do hóspede. Também tivemos que pensar em como alojar ambos. Tudo pronto, passaram-se os dias e eles ganharam da minha auxiliar uma pequena caixa transportadora, para que pudessem ir para o novo local de residência. Neste sim, com a autorização para a presença de animal de estimação.

Mas quem tem um bichinho dentro de casa e mora sozinho(a) sabe das restrições que isso pode vir a causar e, com o meu ex-aluno isso não foi diferente. No dia da viagem para São Paulo, onde foi participar de um evento de robótica, ele contatou comigo e me perguntou se eu poderia hospedar o gatinho Flag aqui em casa, pois ele estava com dó de deixar o animal trancado no quarto (é apenas um cômodo!) por quatro dias!

Quem me conhece sabe que eu não fico calada em uma situação dessas! Ao tomar ciência da situação, é óbvio que chamei a atenção desse tutor, dizendo-lhe que, ao planejar uma viagem, a primeira preocupação dele tem que ser – necessariamente – com o animal de estimação dele! Aproveitei também para dizer que deveria ter me consultado antes, ou seja, com a antecedência segura para qualquer ajuste de última hora, de ambas as partes.

De sorte que eu pude hospedar o Flag e perceber o quão bem adaptado ele fica no espaço que ele já conhece e como ele não pareceu se deprimir com a ausência do tutor dele que havia combinado de ser de apenas 4 dias a permanência do animalzinho aqui em casa, mas depois de vencido esse prazo, fez um reajuste para um total de 10 dias.

O bom é que vejo Flag interagindo sob o portão com os meus felinos que ficam pelo quintal e sobem as escadas para olharem e bufarem para o filhote que, atualmente, já está bem crescido. É lindo se observar como as características da fase inicial vão se modificando; o porte vai se delineando e, com isso, pude perceber o quanto Flag é parecido com o meu gato Feliz. A diferença que mais salta aos olhos, é exatamente a diferença na cor dos olhos: do meu Feliz é verde, enquanto para o Flag, é amarela.

Mesmo estando tranquilo, Flag ainda tem o comportamento bastante impulsivo dos jovens felinos. Quer morder, correr, brincar, boa parte do tempo. Mas devo confessar que todo esse período em que ele aqui está – como meu hóspede – tem sido uma grande alegria!

Moba Nepe Zinid – 15 out. 2026.