Como “Curry” virou “Atchim”
Por indicação de um grande amigo, gateiro muito antes de mim, passei a comprar ração numa grande loja do ramo que fica nas proximidades de minha residência. Pouco antes de se instalar a pandemia no país, eu fui fazer a retirada de saco de ração para os meus gatos e, enquanto esperava localizarem para mim o meu produto, comecei a caminhar nos vastos corredores, apreciando o que via nas inúmeras prateleiras.
De repente, meio que atraída por um movimento de vai e vem, eu percebi um espaço envidraçado e, do lado de dentro dele, alguns brinquedos e poleiros. No piso, caminhando pra lá e pra cá, acompanhando o meu movimento e me fazendo muita festa, um gatinho – jovenzinho ainda – amarelo e branco.
Eu não queria ir até o vidro brincar com ele, buscando confirmar se o caminhar dele de fato estava associado ao meu movimento, mas não resisti e me coloquei do lado de fora, caminhando para lá e para cá, rindo com o acompanhamento saltitante do gatinho que parecia “sorrir” pra mim.
Óbvio, que acabei indo até a moça que estava no espaço, internamente, para perguntar sobre aquele alegre e brincalhão gatinho amarelo e branco, sendo prontamente informada que ele se chamava “Curry” e estava ali para adoção, agora que ele já estava 100% recuperado de todas as doenças que apresentara ao chegar para eles.
Busquei otimizar os trâmites, já que o gatinho estava definitivamente apaixonado por mim e eu por ele, tão logo nos encontramos pessoalmente. Mas tinha um detalhe: eu não estava portando uma caixa transportadora, já que havia ido à loja apenas para retirada de saco de ração. Daí que combinei tudo direitinho com a responsável pelo setor de animais para adoção, fiz a minha identificação – pela primeira vez – como uma tutora em potencial, preenchi uma papelada e informei que iria em casa para deixar a ração, pegaria uma caixa transportadora e voltaria prontamente à loja para ficar com o “Curry”.
Assim combinei, assim fiz. Em menos de meia hora eu já estava de volta à loja em questão e, ao chegar ao espaço envidraçado, parecia que meu futuro filhotinho adivinhava que viria embora para minha casa comigo. Andava agitado de um lado para o outro e miava manso, mas de forma constante. Entrei com a caixinha na mão para conversar com a responsável pelo espaço, momento em que recebi uma pastinha com a papelada do tratamento do “Curry” e, somente nesse momento, fui informada de que ele tinha um sério problema respiratório e espirrava muito e ainda tossia. Tudo bem! Eu e ele já havíamos nos apaixonado perdidamente e o casamento em minha casa seria dentro de poucos minutos.
Avisaram-me que viriam até a minha residência, passados alguns dias, para se certificarem do tratamento que eu estivesse dispensando ao animal adotado e para saber de mim se a adaptação estava sendo adequada. Devo ressaltar que, mais de cinco anos se passaram e nunca recebi ninguém dessa empresa aqui em minha residência para essa inspeção que haviam me dito ser imprescindível no processo. Enfim, o que de fato ocorreu foi que, tão logo cheguei a minha casa e deixei o animalzinho sair da caixa transportadora, percebi que ele caminhava pelos cômodos cheirando tudo e espirrando, numa inspeção típica de reconhecimento do território e, claro, já foi logo até uma caixinha de areia deixar seu registro como novo dono do lugar.
Com o passar dos dias e o prosseguir dos espirros do bichano, não teve jeito: troquei sem titubear o nome dele, que passou a se chamar “Atchim”, nome muito mais adequado e para o qual ele imediatamente passou a me atender sem demora. Com isso, meu quadro de formação dos nomes dos anõezinhos da Branca de Neve recebeu mais um integrante e, por incrível que pareça, Feliz e Atchim se tornaram amigos inseparáveis!
MoBa NePe Zinid – 11 jul. 2025
Atchim, sempre está com você! De um jeito, ou de outro.😂😂😂.
É verdade, meu nobre! Finalmente, saiu das respostas no WhatsApp e se animou a postar aqui!
Sobre Atchim estar sempre comigo, é somente aquele com o nome que lhe foi dado por mim; o outro,
com o apelido de toda uma vida, mas que não foi dado por mim, está sempre com a família que constituiu,
o que é louvável.
Obrigada por se fazer presente neste espaço no qual expresso algumas passagens do meu singelo cotidiano!
Envio-lhe e aos seus boas energias e os votos de uma excelente semana!
Ainda bem que Atichim não veio da China, pois do contrário as pessoas iriam pensar que ele que trouxe a pandemia. Essa combinação Atichim Feliz faz parte da minha rotina, pelo menos em minha casa, afinal se tem uma coisa que eu não reprimo é um atchim. Faço do atchim uma manifestação de liberdade, e isso me dá muito prazer e me faz um pouco mais feliz. Mas por gentileza, não confunda liberdade de atchim com uma tal “liberdade de expressão” que certos tresloucados “patriotas” reivindicam. Mas voltando ao felino, fico pensando como seria “Pararatimbum, pararatimbum” cantada por Atichim: Pararatichim, pararatichim… eu vou, eu vou atichim!
Estimado Mestre Rafael,
obrigada por ser tão engraçado em seus comentários e até musical.
Gosto muito disso!
Aliás, vê-lo por aqui, fez eu me lembrar que você não tem WA e, portanto,
não recebeu a divulgação do texto do mês de agosto ainda, pois para você,
é via e-mail. E que rufem os tambores, porque aí vai! Rs.
Que tenhamos uma semana repleta de boas energias!