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Presente

O mês de dezembro foi o mês do presente, embora já esteja no passado. É um momento prazeroso onde se dá e se ganha presente(s). Depois de passada a euforia natalina, costuma vir o momento da calmaria para a outra troca: daquilo que não serviu; seja pelo tamanho errado (alguém se esqueceu que aquela criança cresceu!) ou pela cor que aquela pessoa em especial não usa; enfim, qualquer que seja o motivo, passados alguns dias, o movimento das lojas é intenso novamente, não pelas vendas aquecidas, mas pela necessidade do consumidor presenteado.

Presente é uma palavra com várias significações, o que me leva a dizer que eu sou, tu és, ela(ele) é, nós somos, vós sois, elas(eles) são um presente de Deus. Embora algumas pessoas já não existam mais entre nós ou na gramática cotidiana que praticamos em nossa oralidade. O certo é que presente é este momento em que escrevo ou aquele em que você lê, mesmo que este último seja em meu futuro. Vai-se entender! Presente é o ato da enunciação e, comparativamente ao exemplo que trouxe anteriormente, também será o ato de você ler este texto (futuramente) que, tão logo vou escrevendo, a cada letrinha digitada, integra o passado…

Presente também é aquela goiaba madura que eu não entrevia na folhagem farta da goiabeira de enxerto, plantada por meu tio há muitos anos e que tem a goiaba amarela mais redondinha e doce que conheço; mas só conheço essa amarela! Risos! As demais que comi desde menininha ou são brancas (que adoro também!) ou vermelhas (nem tão vermelhas assim, mas coloridas com essa cor que é um pouco mais intensa que a realidade nua e crua!). Quando vem um vento mais forte e derruba algumas no terreiro, eu me farto e me sinto verdadeiramente presenteada por ter um quintal com frutas e delas poder desfrutar.

Quando pego um livro para ler e ele me toma de meu cotidiano, fazendo-me até mesmo virar a noite para acaber de lê-lo, isso também é um (lindo) presente, pois me vejo transportada para as histórias enredadas por autores nem sempre conhecidos, mas presentes em meu mundo de leitora para o meu deleite.

Como em minha infância, ainda hoje – já na terceira idade – eu adoro ganhar presente! Sobretudo se são miniaturas e coisinhas (outras mais!) para eu adornar a minha casa! Com isso, vou irritando cada vez mais a minha auxiliar, que deve andar louca para botar tudo fora! Isso sim, seria um verdadeiro presente! Para ela, claro!

Os meus inúmeros gatinhos também são um lindo presente em minha vida, mesmo ciente de que a maioria chegou a mim como um verdadeiro presente de grego (bem ao estilo do cavalo de Troia!), pois depois de muitas peripécias vivenciadas conjuntamente, num verdadeiro “casamento”, já que seguimos todos juntos na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, os quinze seguem intrépidos nessa quase sempre pacífica convivência, pois eles me deixam usar a “nossa” casa. E digo “nossa” dessa forma, porque sei que é bem mais deles que minha; eles são a maioria e, além disso, não têm que pagar nenhuma conta; daí que mandam e desmandam, enquanto eu apenas obedeço!

Sendo também professora, além de “gateira” (e não “regateira”! Risos!), gosto de ouvir a palavra concretamente falando: “Presente!” que, quando dita por qualquer estudante, é sinal de que está ali para uma troca justa de conhecimentos. É o momento em que se faz valer aquilo que prezo: o diálogo.

E é esse diálogo diário que busco manter aqui há quase cinco anos, que se completarão em abril deste ano. Um diálogo nem sempre profícuo, nem tão constante quanto gostaria. Talvez, as pessoas que interagem comigo pelo WhatsApp em vez de postarem um comentário no bate-papo do blog, prefiram o anonimato. Só para lembrar: não censuro as mensagens que chegam a mim; costumo responder a todas elas. Eventualmente, não com a presteza que muitos poderiam esperar, mas respondo. É o respeito que dedico a cada um de vocês que, em seu momento presente, se importam com este meu.

Que tenhamos todos um 2026 que nos seja um verdadeiro presente! Estes são os meus votos sinceros!

MoBa NePe Zinid – 14 jan. 2026